Table Of ContentCopyright 2020 by J. Love
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É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo sem a
prévia autorização da autora da obra.
Esta é uma obra de ficção. Os nomes, personagens, lugares e
acontecimentos descritos são produto da imaginação da autora.
Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é
mera coincidência.
Capa: Cenna Nunes Design
Uma virgem em apuros
LOVE, J
1ª Edição — Outubro de 2020
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Epílogo
Capítulo 1
É a grande oportunidade da minha vida.
Sério, acho que nem em um milhão de anos eu conseguiria
imaginar que a minha chance de ser uma jornalista de verdade cairia do céu
direto nos meus braços. Só que, sendo eu, é claro que tem um problema. E
dos grandes.
— Terá que escrever algo bem picante e que deixe essa
patrocinadora nas nuvens — Guilhermina diz um minuto depois de anunciar
que fui sua escolhida para ficar com a coluna de Amor & Sexo depois que
Ilda, a antiga jornalista, foi pega com a boca onde não devia. — A Luxury é a
maior sex Shop dessa cidade e ter Penélope como anunciante vai alavancar
ainda mais a revista.
Apenas balanço a cabeça, sabendo que trabalhar aqui na
Feminices é muito mais do que apenas um sonho realizado, mas sim minha
grande oportunidade.
A revista começou sendo impressa, mas Guilhermina, uma
visionária, se adiantou e a transformou em uma sensação online antes de
começar a produzi-la em formato digital, atraindo mais de um milhão de
assinantes, então não aconteceu aqui o mesmo que em grandes revistas
femininas que acabaram sendo descontinuadas no país pela falta de leitores.
— Acha que está pronta para essa oportunidade? — Insiste ao
perceber o quão apavorada estou.
Eu odeio ser a assistente de todos e só aceitei esse cargo porque
queria crescer e agora estou tendo a minha chance, então por que estou com
tanto medo? Ah, sim, porque eu sou virgem!
— Estou sim — digo com uma confiança que eu obviamente não
tenho. — Meu prazo é até quando?
— A próxima segunda-feira — diz de modo incisivo. — Irei te
dar alguns dias a mais porque está começando. Agora deixa de ser assistente
e passa a fazer parte do time de redação. Pode ocupar a mesa daquela que não
deve mais ser nomeada. Os produtos estão aqui.
Ela me entrega um sacola rosa choque e então faz um gesto para
que eu me retire. Segurando a minha chance, saio da sala dela com as pernas
trêmulas.
*
Fico realmente feliz de sair daquela mesinha ridícula de pequena
em um canto isolado onde sempre redigia clickbait para gerar mais tráfego no
site e levar os leitores para as matérias que realmente importam.
Recebo sorrisos animadores e desejos de boa sorte quando ocupo
meu novo lugar na redação da revista. Sinto a energia das notícias pulsando e
me deixando arrepiada e tenho que me controlar para não chorar de alegria.
Começo a colocar minhas coisas na baia e a deixar tudo com a
minha cara, o tempo todo encarando a sacola como se dali fosse pular algum
bicho nojento.
— Estou tão feliz por você, querida — diz Denise, a editora de
moda. — É ótimo quando alguém tão esforçada tem os esforços
recompensados.
— Sem falar que você é bem mais gentil — afirma Leônidas,
editor de comportamento. — Aquela Ilda precisava muito de terapia.
— Eu até indiquei minha terapeuta — comenta Fran, que escreve
sobre cultura. — Mas ela jogou o cartãozinho em mim, aquela rancorosa.
— Acho que não podemos mais citar o nome dela — sussurro,
fazendo um gesto para a sala de Guilhermina. — Ainda é muito recente, sabe.
Todos balançam a cabeça e se voltam para seus computadores,
ninguém quer ser o alvo do mau-humor da editora-chefe, principalmente
porque a Ilda foi pega pagando um boquete no noivo da Guilhermina e foi
uma confusão de gritos, bolsa voando e lágrimas, da Ilda é claro porque a Gui
não é muito conhecida por ser um doce de pessoa.
Protelo o máximo que posso, mas um pouco antes do expediente
acabar, acabo abrindo a sacola e vejo o que tenho que testar e então
imediatamente começo a suar frio.
Há vibradores, consolo em forma de pau gigante, vários tipos de
lubrificante e um negócio esquisito em formato de pinguim.
— Acho que hoje alguém vai se divertir.
Quem fala isso é Denise e eu jogo tudo dentro da sacola
novamente. O que eu vou fazer? Não sei como usar essas coisas e tenho
certeza de que não foram feitos para uma virgem que só se toca por cima da
calcinha para aliviar o estresse.
Capítulo 2
Milena começa a gargalhar no instante em que conto tudo o que
aconteceu no trabalho. A danada ri tanto que chega a colocar a mão na
barriga.
— Dandara — ela diz meu nome em meio ao riso. — Sua editora
jamais teria cogitado você para a vaga se soubesse que só namorou uma vez e
que continua com o buraco fechado.
Acabo rindo de toda a situação e chego a gargalhar conforme
Milena coloca os produtos da Sex Shop no chão emborrachado de seu
Estúdio de Pilates.
— Esse bullet é bom para você — diz ao pegar um pequeno
vibrador cilíndrico preto com um controle pequeno. — Pode estimular seu
clitóris.
— Não quer escrever no meu lugar? — proponho ao apontar para
o pinguim.
— Sou fisioterapeuta, amiga. Isso aqui é um sugador de clitóris.
Você o coloca em cima do seu botãozinho e em um minuto goza como nunca.
É delicioso e o Carlos ama me ver gozando com um desses.
Carlos é o noivo de Milena. Eles se conheceram na faculdade e
não se desgrudaram mais desde então.
— Esse consolo — ela pega o pênis enorme. — É ideal para quem
já tem uma vida sexual ativa e ele tem as vibrações de acordo com a
intensidade que você aguenta. É bem gostoso.
— Você é bem safada.
Milena começa a rir e enfileira os tubinhos coloridos.
— Eu sou confortável com a minha sexualidade e você também
deveria ser. Já conversamos sobre isso, Danda. Toda mulher precisa saber se
fazer gozar antes de gozar com alguém.
Acabo me lembrando da vez em que tentei fazer um boquete e
acabei vomitando. Minha pele fica arrepiada ao lembrar do meu ex-namorado
e meu estômago fica embrulhado, quase me sinto com as mãos dele ao redor
da minha cabeça me forçando a chupá-lo já que eu não queria transar e lhe
dar prazer de outra forma.
— Lembrou dele, não é?
Milena para de se divertir com os produtos que ganhei e se
aproxima de mim, me envolvendo em seus braços de um jeito protetor.
— Já passou, Danda — diz e esfrega minha costas. — Aquele
babaca nunca mais vai chegar perto de você.
Minha melhor amiga pode se divertir as minhas custas, mas ela
sempre me protegeu como uma leoa desde o ensino médio quando nos
conhecemos e os garotos ficavam zombando do meu aparelho. Milena me
colocou debaixo das suas asas e não hesitou ao dar um soco no rosto do
garoto mais alto da turma para me defender do bullying e quando meu
namoro se tornou abusivo, ela também não temeu sair de casa de madrugada
e me buscar na rua depois que fui jogada para fora do apartamento dele as
três da manhã.
— Eu sei que já passou — digo me fazendo de forte e respirando
fundo. — É que as vezes coisas que não tem nada a ver me fazem lembrar
dele e eu me sinto pequena e indefesa de novo.
— Você é forte, Dandara. Pode ser pequena mesmo, mas é a
garota mais forte que eu conheço e tenho certeza que vai tirar de letra essa
matéria sobre vibradores.
A confiança dela em mim é comovente e eu a abraço, feliz por ter
comigo uma irmã de outra mãe.
— Estamos ficando sentimentais — ela fala com voz rouca. — E
a gente nem bebeu ainda.
— É segunda-feira, Milena, se eu chegar em casa bêbada, o Ethan
vai falar para o Jorge, que vai contar para os meus pais, que vão querer me
dar outra palestra sobre os malefícios do álcool.
— Às vezes me esqueço que você mora com um cão de guarda.
— Moro no andar de cima.
Milena começa a rir e tenta me explicar sobre os lubrificantes e
géis para sexo oral. Entendo o básico, mas não acho que terei a oportunidade
de testar tão cedo. Uma boca jamais se aproximou da minha bacorinha.
*
Desço do Uber na frente de casa e vejo Ethan molhando o jardim
com um regador de plástico verde. Ele é daquele tipo que curte cuidar das
plantas e também se intrometer na vida alheia.
— Oi, Dandara — fala assim que eu abro o portão de ferro
branco. — Sabe que pode economizar bem mais se andar de ônibus ou
bicicleta, não é?
Ah, sim, além de cuidar das plantas e ser um intrometido de
marca maior, Ethan é gerente de banco e educador financeiro com milhões de
seguidores nas redes sociais. Sabe aqueles caras engomadinhos que
economizam a ponto de alugarem o andar de cima da própria casa?
— Estava cansada para vir de ônibus.
Ele sorri, como se não acreditasse na facilidade que eu tenho para
gastar. Em alguns pontos, Ethan tem razão porque eu sei que se comprasse
menos comida japonesa chegaria ao final do mês com algum dinheiro e não
completamente zerada como sempre acontece.
— Fui promovida — falo ao me sentar nos degraus da escada que
leva para sua casa. — O aumento é mínimo, mas ainda conta, não é?
— Claro que conta — ele sorri e ajeita os óculos de armação preta
em cima do nariz reto e bonito. — Parabéns, Dandara.
Ele sorri e eu me vejo correspondendo ao seu sorriso porque além
de engomadinho e intrometido, Ethan é muito bonito com seus olhos azuis e
cabelos castanhos enrolados, além da pele bronzeada de estar sempre fazendo
alguma atividade ao ar livre.
— O que vai fazer agora?
Meu sorriso esmorece quando percebo a natureza da pergunta.
— Ah, vou escrever sobre... sobre produtos femininos.
Ele balança a cabeça, como se não compreendesse o que eu estou
dizendo e eu me levanto, não querendo que faça mais perguntas sobre meu
novo cargo no trabalho.
— Foi bom falar você, Ethan.
Começo a me dirigir para a escada lateral que leva ao segundo
andar quando ele me chama.
— Chegou a conta de luz — diz e tira um papel branco e amarelo
do bolso. — Subiu em quarenta reais sua fatura em relação ao mês passado.
Claro que a beleza dele meio que se perde com esse
comportamento irritante de quem adora ser um mão de vaca de primeira.
— Talvez tenha a ver com o fato de sempre deixar a luz da
varanda acesa.
— Sinto-me melhor com a luz acesa — confesso ao pegar a conta
da mão dele, meus dedos esbarrando nos seus.
— Está segura aqui, Dandara. É uma ótima vizinhança.
— Não tenho medo de assalto. É que vi um filme horroroso de
terror e não quis deixar a casa sem um local bem iluminado.
Ethan tenta disfarçar, mas começa a rir.
— Não veja mais esses filmes.
Ergo os dois polegares e faço um sinal indicando que vou subir.
Ethan volta a regar o jardim, seus ombros largos se destacando na camiseta
branca que usa.
Morar aqui foi uma forma de eu pagar pouco pelo aluguel, mas
também o jeito certo dos meus pais me deixarem sair de casa e viver minha
própria vida. Claro que o fato do Ethan ser o melhor amigo do meu irmão
mais velho as vezes é meio chato, principalmente quando eu e Milena
exageramos na balada.
Deixo as fofocas de Ethan de lado quando entro em casa e coloco
a sacola da luxúria em cima da mesa. E agora, como vou me virar para
escrever algo que impressione Guilhermina e que não demonstre que sua
nova colunista de amor e sexo é totalmente virgem?
Description:Dandara jamais imaginou que ser virgem a impediria de agarrar com as duas mãos a oportunidade da sua vida, mas é isso o que acontece e ela vê sua grande chance indo embora. Alguém sem experiência não escreve sobre amor e sexo, certo?
Determinada, ela entra em aplicativos de namoro à procura de um cara qualquer que resolva seu “probleminha", mas é claro que não consegue e acaba revelando a Ethan seu dilema.
Completamente nerd e careta, ela jamais o considerou como um candidato em potencial, até que a proposta de ele ser seu professor de preliminares surge.
Serão apenas algumas aulas e terá de ser segredo já que Ethan é um território proibido. Pelo menos é nisso em que Dandara tenta acreditar, mas conforme o tempo passa, ela descobre que por trás dos óculos antiquados e das conversas sobre taxas bancárias, existe um homem incrível e sexy que vale a pena conhecer.
Quando um beijo inesperado acontece, ela terá de decidir se vale a pena arriscar tudo ou manter o acordo.